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SpaceX e Tesla criam comitês para avaliar uma possível fusão

Os conselhos das duas empresas formaram comitês de conselheiros independentes. Musk não participa das conversas e diz que a fusão não é certa. Não há acordo.

Montagem com a Starship em decolagem e o Tesla Cybercab
Fotos: SpaceX (Starship) e JustAnotherCarDesigner, via Wikimedia Commons (CC0, Cybercab)

A SpaceX e a Tesla estão avaliando uma possível fusão. Em 20 de outubro, Elon Musk, que comanda as duas empresas, disse na teleconferência de resultados da SpaceX que cada conselho formou um comitê de conselheiros independentes. Não há acordo, e o próprio Musk disse que tratar a fusão como certa seria exagero. O assunto, ainda assim, mexe com milhões de acionistas.

O que foi dito

Segundo a TechCrunch e o Engadget, os comitês nasceram por pedido de acionistas. A Electrek atribui a formação dos comitês a Musk e não menciona esse pedido. Musk afirmou que, por ser parte conflitada, não pode participar das discussões dos comitês. O Engadget acrescenta que o irmão dele, Kimbal Musk, também fica de fora.

Os dois veículos concordam sobre o estágio. Os comitês não chegaram a acordo sobre os termos de nenhuma transação. A Electrek discorda do tom. Ela chama a criação dos comitês de primeiro passo formal, e opina que a aprovação dos conselhos é "razoavelmente certa". A opinião é do veículo, e não de uma fonte.

Segundo a TechCrunch, Musk disse na transmissão que há "muito mérito" em juntar as empresas. Ele citou superinteligência, software de IA, robótica, o projeto de data center orbital da SpaceX, chamado Starmind, e o projeto de chips Terafab. Também disse que, no fim, os acionistas precisam apoiar a ideia.

Quem decide

A TechCrunch lista os conselheiros independentes. Na Tesla, são sete, segundo um documento de 19 de outubro: Robyn Denholm, presidente do conselho, Ira Ehrenpreis, JB Straubel, Joe Gebbia, Jack Hartung, James Murdoch e Kathleen Wilson-Thompson. Na SpaceX, são seis: Ehrenpreis, Randy Glein, Donald Harrison, Steve Jurvetson, Luke Nosek e Roelof Botha. Ehrenpreis aparece nos dois conselhos. Musk não nomeou quem está nos comitês.

A votação é desigual. Na SpaceX, Musk tem mais de 50% do poder de voto, segundo a TechCrunch. O Engadget, citando a Fortune, fala em cerca de 82%. Seja qual for o número, o voto dele decide. Na Tesla, a fusão exigiria o apoio de 50% de todos os acionistas, e não só dos que votam. TechCrunch e Engadget concordam nesse ponto.

O que só uma fonte diz

Cada veículo traz detalhes que os outros não têm. A Electrek menciona um procedimento de voto automático que a Tesla teria preparado, com base em matérias anteriores dela. Ela também diz que Musk tem cerca de 22% da Tesla e que os comitês provavelmente ficarão do lado dele. São opiniões e leituras do veículo.

O Engadget acrescenta que o investimento de US$ 2 bilhões da Tesla na xAI virou ações da SpaceX depois que a SpaceX comprou a xAI. A informação vem de uma matéria da Electrek. A TechCrunch, por sua vez, é a única a citar a participação de 3,4% da Valor Equity Partners, do conselheiro Antonio Gracias, na SpaceX.

O momento da SpaceX

A fusão aparece em um trimestre forte para a SpaceX, que já abriu capital. Segundo a TechCrunch, a empresa registrou receita de US$ 14,6 bilhões no terceiro trimestre. O segmento "Super Intelligence", que reúne a ferramenta de código Cursor, o assistente Grok e a nuvem para IA, teve US$ 7,5 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 4,4 bilhões, contra prejuízo de US$ 1 bilhão um ano antes. O Starlink tem 13,6 milhões de assinantes.

Esses números ajudam a entender por que a ideia aparece agora. Eles não mostram, porém, que a fusão faz sentido para os acionistas da Tesla.

O que pesa nas dúvidas

Há três pontos que as fontes deixam em aberto:

  • os termos: preço, proporção de troca de ações e papel de Musk;
  • o prazo: ninguém informou quando os comitês devem concluir o trabalho;
  • o interesse dos acionistas minoritários, que teriam as ações diluídas, segundo o título da Electrek.

Nossa leitura é que o processo está no começo. Os comitês foram criados, mas não houve proposta. Em empresas desse tamanho, a etapa seguinte costuma incluir assessores financeiros e uma oferta formal. Isso é uma expectativa geral, e as fontes não descrevem esse caminho.

A Tesla, por sua vez, vive um momento de promessas de prazos longos em carros e robôs. Uma fusão com a SpaceX mudaria a base de acionistas que cobra esses prazos.

Fontes

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